Em discurso na principal conferência conservadora americana, o senador e pré-candidato ao Planalto destacou a importância das “terras raras” brasileiras para a tecnologia e defesa militar dos Estados Unidos.
A corrida presidencial de 2026 já começa a movimentar o xadrez geopolítico internacional. Durante sua participação na CPAC (Conservative Political Action Conference), realizada no último sábado (28) nos Estados Unidos, o senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), apresentou o Brasil como a principal alternativa para os americanos romperem sua perigosa dependência da China no fornecimento de minerais críticos.
O alvo central do discurso foram as chamadas “terras raras”, um grupo de elementos químicos indispensáveis para a fabricação de chips, processadores de computador, desenvolvimento de inteligência artificial e, principalmente, para a indústria bélica e de defesa dos EUA.
O alerta sobre a dependência chinesa
De acordo com os dados apresentados pelo senador aos conservadores americanos, cerca de 70% de todas as terras raras importadas hoje pelos Estados Unidos vêm da China — país que trava uma guerra comercial e tecnológica aberta com Washington.
“Sem esses componentes, a inovação tecnológica americana torna-se impossível e a produção do sistema militar avançado que mantém a superioridade americana cai nas mãos dos adversários”, alertou Flávio Bolsonaro durante o painel. Ele argumentou que a vulnerabilidade dos EUA no setor de defesa coloca em risco a segurança de “todo o mundo livre” e que o solo brasileiro tem potencial de sobra para suprir essa demanda estratégica.
Críticas duras ao governo Lula
Além de fazer um aceno comercial e estratégico aos Estados Unidos, o presidenciável aproveitou a vitrine internacional para tecer duras críticas à atual gestão do PT. Flávio classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “abertamente antiamericano”, afirmando que o governo petista age em oposição aos interesses de Washington.
Subindo o tom das acusações, o senador alegou, sem apresentar provas durante a fala, que a atual gestão teria feito “lobby pesado” com autoridades americanas para impedir que as principais facções criminosas do Brasil fossem classificadas internacionalmente como organizações terroristas. Segundo o parlamentar, a medida acabaria protegendo cartéis que “lavam dinheiro e exportam drogas para os Estados Unidos”.
A fala de Flávio Bolsonaro nos EUA evidencia a estratégia do PL de fortalecer laços com a direita internacional e usar a política externa como um dos pilares de contraste para a campanha eleitoral que se aproxima. O Palácio do Planalto, até o momento do fechamento desta matéria, não se manifestou oficialmente sobre as declarações do senador na conferência.







