Além dos 90 minutos: o raio-x histórico do drama das prorrogações nas Copas do Mundo

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A 73 dias do pontapé inicial do Mundial de 2026, um levantamento mostra como o tempo extra já definiu finais épicas, consagrou heróis e mudou o destino de grandes seleções.

A contagem regressiva para a Copa do Mundo da FIFA 2026 está a todo vapor. Faltando exatamente 73 dias para a abertura oficial do torneio que será sediado nos Estados Unidos, México e Canadá, a ansiedade das torcidas só aumenta. Mas, como o fã de futebol sabe muito bem, o espetáculo muitas vezes se recusa a terminar no tempo regulamentar.

Ao longo da história dos mundiais, a tensão dos 30 minutos de prorrogação já foi acionada em 73 partidas. Um olhar aprofundado sobre esses números revela como o esgotamento físico e a pressão psicológica moldaram os resultados mais imprevisíveis do esporte.

O destino dos jogos estendidos

Os dados históricos mostram que 31 dessas partidas encontraram um vencedor ainda durante os 30 minutos de bola rolando no tempo extra. Em uma época em que o regulamento era diferente, seis confrontos chegaram a exigir a realização de um jogo extra (jogo de desempate) para definir quem avançava.

A grande virada de chave para o drama moderno ocorreu na edição de 1978, na Argentina, com a introdução da disputa por pênaltis. Desde então, 35 jogos que foram para a prorrogação acabaram decididos na marca da cal. E o equilíbrio no futebol contemporâneo é evidente: das últimas 10 partidas que precisaram de tempo extra, nove foram parar nos pênaltis.

A era do “Gol de Ouro” e os Reis da Prorrogação

A FIFA também testou, no passado, a implacável regra do “Gol de Ouro”, onde quem marcasse primeiro na prorrogação vencia a partida imediatamente. Quatro jogadores imortalizaram seus nomes com essa regra:

Laurent Blanc (França), ao eliminar o Paraguai em 1998;
Henri Camara (Senegal), que despachou a Suécia em 2002;
Ahn Jung-hwan (Coreia do Sul), que chocou a Itália em 2002;
Ilhan Mansiz (Turquia), que marcou contra o Senegal, também em 2002.
Se falarmos de resiliência moderna, a camisa da Croácia pesa. Nas últimas duas Copas do Mundo (2018 e 2022), os croatas disputaram a prorrogação cinco vezes — inclusive na dolorosa eliminação do Brasil no Catar — e avançaram de fase em absolutamente todas elas.

O peso da prorrogação também é sentido nas decisões de taça. Das 21 finais de Copa do Mundo já realizadas, oito precisaram de tempo extra, sendo que quatro delas ocorreram apenas nas últimas cinco edições do torneio.

Chuva de gols no tempo extra

Geralmente marcada pela cautela defensiva, a prorrogação também já entregou espetáculos ofensivos. O recorde pertence à inesquecível semifinal de 1970, no México, quando a Itália superou a Alemanha Ocidental por 4 a 3. Naquele jogo, cinco gols foram marcados apenas no tempo adicional.

No aspecto individual, balançar as redes duas vezes em uma mesma prorrogação é um feito raríssimo, restrito a um clube muito exclusivo de apenas cinco lendas: o brasileiro Leônidas da Silva (1938), o húngaro Sándor Kocsis (1954), o inglês Geoff Hurst (1966), o alemão Gerd Müller (1970) e o camaronês Roger Milla (1990).

Com a Copa de 2026 batendo à porta, o cenário está montado. Resta saber quais seleções terão fôlego e nervos de aço para escrever novos capítulos nos dramáticos 30 minutos adicionais do futebol.

Comunicação FIFA
foto Comunicação FIFA
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