A Polícia Federal (PF) trabalha intensamente para dar um novo passo nas investigações que cercam a produção do longa-metragem “Dark Horse”, cinebiografia que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A corporação articula, junto às autoridades dos Estados Unidos, um pedido de quebra de sigilo de um fundo de investimentos sediado no Texas, suspeito de ter sido utilizado como rota para movimentações financeiras atípicas.
O interesse dos investigadores no fundo Havengate Development Fund LP justifica-se por sua conexão direta com figuras próximas à família do ex-presidente. Informações obtidas no curso da apuração indicam que um dos responsáveis legais pela entidade é Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Suspeita de uso de recursos
A principal linha de investigação busca entender se parte dos vultosos valores destinados ao financiamento do filme – projeto que esteve no centro de negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro – teria sido desviada para fins alheios à produção cinematográfica.
Entre as hipóteses sob análise da Polícia Federal, está a suspeita de que os recursos tenham custeado despesas pessoais do ex-deputado Eduardo Bolsonaro durante sua estadia nos Estados Unidos, além de financiar ações estratégicas direcionadas contra autoridades brasileiras.
Desafios diplomáticos
A execução deste pedido de quebra de sigilo enfrenta um cenário complexo. Por envolver uma jurisdição estrangeira, a PF precisa acionar mecanismos de cooperação jurídica internacional. O desafio, segundo analistas e fontes ligadas à investigação, reside na necessidade de tramitação através de órgãos americanos, como o Departamento de Justiça, o que torna o processo dependente de variáveis diplomáticas e políticas.
O caso ganha novos contornos à medida que a Polícia Federal busca rastrear os repasses realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje sob custódia, em meio a investigações sobre um esquema bilionário de fraudes financeiras. Enquanto a defesa dos citados nega irregularidades – com a tese de que os contratos referem-se estritamente a direitos de imagem e questões contratuais de produção –, a PF segue em busca de evidências que esclareçam o real destino dos milhões de reais que movimentaram os bastidores da obra.
A Revista da Bahia continuará acompanhando o desenrolar das investigações e as implicações políticas deste caso.







