Novos capítulos explosivos vieram à tona na investigação sobre a fuga em massa ocorrida no Conjunto Penal de Eunápolis. A delação premiada de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do presídio, expôs detalhes chocantes sobre o suposto envolvimento do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB) com chefes do tráfico local.
Encontros às Escondidas e Regalias
Indicada politicamente para assumir a diretoria do Conjunto Penal, Joneuma — que foi a primeira mulher a comandar a unidade na Bahia — iniciou seus trabalhos no dia 25 de março de 2024. De acordo com a sua colaboração firmada junto ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), a influência de Uldurico Júnior começou logo no dia seguinte.
Reuniões Constantes: A ex-diretora revelou que o ex-deputado teve pelo menos três encontros a portas fechadas com chefes de facções criminosas dentro da unidade.
Fuga de Protocolo: Em pelo menos uma das reuniões, Uldurico teria pedido a ela que retirasse as algemas dos detentos de alta periculosidade para que conversassem à vontade.
O Foco Principal: O principal contato do ex-parlamentar seria com Ednaldo Pereira Souza, vulgo ‘Dada’, líder da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis (PCE). Segundo Joneuma, toda a fuga, que resultou em 16 presos soltos nas ruas em dezembro de 2024, foi orquestrada com foco no resgate de ‘Dada’.
Dinheiro em Caixa de Sapato
O motivo por trás de toda a operação, segundo a delatora, seria puramente financeiro. Joneuma relatou que Uldurico estava pressionado por dívidas políticas após perder as eleições para a prefeitura de Teixeira de Freitas.
O político teria fechado um acordo no valor de R$ 2 milhões para facilitar a fuga do líder do tráfico. O “sinal” do negócio, estipulado em R$ 200 mil, teria sido pago da seguinte forma:
R$ 150 mil em espécie: Entregues em uma caixa de sapatos nas mãos do pai do ex-deputado, o também político Uldurico Alves Pinto.
R$ 50 mil: Repassados por meio de transferências bancárias (PIX).
O Nome de Geddel e a Mudança de Planos
Um dos pontos mais polêmicos do depoimento envolve o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Joneuma afirmou que Uldurico frequentemente lhe mostrava mensagens atribuídas ao cacique do MDB — antigo partido de Uldurico. Segundo a delatora, o ex-deputado dizia que metade do valor arrecadado seria destinado a esse “chefe”.
Quando o plano original (que previa a fuga de apenas dois criminosos) saiu do controle e 16 detentos escaparam, Geddel teria dado uma “bronca” no ex-deputado. “Uldurico, eu pensei que ia fugir dois presos, quatro, mas me foge 16, aí você me lasca, cara!”, teria sido o teor da mensagem repassada pelo ex-ministro.
O Que Dizem as Defesas
As declarações de Joneuma provocaram reações imediatas:
Uldurico Júnior: Preso desde 16 de abril, a defesa do ex-deputado chamou as alegações de “falsas”, argumentando que a delatora tenta apenas se livrar da própria responsabilidade e que ele jamais recebeu dinheiro ou participou de qualquer plano.
Geddel Vieira Lima: O ex-ministro, que não é formalmente investigado no caso, demonstrou profunda indignação e negou qualquer envolvimento. “Ele [Uldurico] certamente estava vendendo meu nome descaradamente para acalmar a cúmplice dele, como se eu fosse protegê-lo”, declarou Geddel ao g1, referindo-se a Uldurico como “irresponsável, inconsequente e leviano”.
Dada e Foragidos: Após a recente operação no Rio de Janeiro (comunidade do Vidigal), ‘Dada’ conseguiu escapar, mas três pessoas ligadas ao bando foram presas. Até o momento, dos 16 foragidos originais de Eunápolis, apenas um foi recapturado e dois morreram em confronto. Outros 13 continuam à solta.






