A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou nesta segunda-feira (15) a mais recente proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O órgão também se manifestou contra o pedido de prisão domiciliar solicitado pela defesa do banqueiro.
A decisão segue o posicionamento da Polícia Federal, que na última quinta-feira (11) já havia recusado o material apresentado. Investigadores consideraram que as informações fornecidas sobre pagamentos de propina a políticos foram insuficientes.
Mudança na estratégia da defesa
Na versão recente entregue às autoridades, Vorcaro alterou pontos centrais de seu relato. O banqueiro abandonou a tese anterior de que mantinha laços de amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e com o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ).
No novo documento, ele classificou o envolvimento com ambos como episódios de pagamento de propina, alinhando-se ao entendimento que já vinha sendo sustentado pelos investigadores.
Histórico do caso
O cenário atual reflete o desgaste nas negociações de cooperação. Em maio, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência de Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da PF no Distrito Federal e restringiu o acesso de seus advogados.
O caso do Banco Master envolve:
- Liquidação extrajudicial de instituições do grupo, incluindo o Banco Master S/A e o braço digital Will Bank.
- Apuração de emissão de títulos de crédito falsos e oferta de investimentos com rentabilidade acima do mercado para inflar balanços financeiros.
- Ressarcimento de credores pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com valores que somam R$ 40,6 bilhões.
A negativa da PGR e da PF mantém o banqueiro sob custódia e impõe um impasse jurídico ao processo de colaboração. O desdobramento das próximas semanas definirá se há espaço para novas negociações ou se o Ministério Público seguirá com o rito processual sem a colaboração do investigado.






