As tensões no Oriente Médio e as negociações de paz entraram em uma fase decisiva nesta terça-feira (21). O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou sua postura rígida ao descartar uma possível extensão do atual cessar-fogo com o Irã. Em contrapartida, ele se mostrou otimista quanto ao desfecho diplomático, afirmando que os EUA estão em posição de vantagem para forçar Teerã a aceitar um “ótimo acordo”.
As declarações foram dadas durante uma entrevista à rede de televisão CNBC, em um momento em que representantes internacionais se preparam para uma nova rodada de conversas sediada no Paquistão.
“Nós vencemos a guerra”
Com a retórica enérgica que marca o atual governo norte-americano, Trump não poupou palavras para descrever o cenário do conflito e a superioridade militar e estratégica de Washington sobre o país persa.
“Não vou me deixar pressionar, quero fazer um bom acordo. Nós vencemos completamente a guerra, nós derrotamos totalmente o Irã”, declarou o presidente.
Apesar de celebrar a vitória, ele deixou no ar um forte alerta militar, sublinhando que as forças armadas norte-americanas estão prontas “para entrar no Irã” e atuar militarmente se for necessário.
Bloqueio Marítimo e a Relação com a China
Um dos pontos de maior destaque da fala de Trump foi a menção ao bloqueio naval estratégico. Ele descreveu o cerco norte-americano aos portos iranianos e o controle sobre o vital Estreito de Ormuz como “um tremendo sucesso” da sua administração. Segundo o presidente, os iranianos estariam usando a atual trégua para tentar remanejar mísseis.
O cenário ganhou ainda contornos de tensão global quando Trump revelou uma operação recente da Marinha dos EUA. Ele afirmou que, na segunda-feira (20), forças americanas interceptaram um navio iraniano transportando suprimentos que seriam um “presente da China”. A situação, segundo ele, gerou desconforto em relação ao líder chinês: “Eu pensava que tinha um entendimento com o presidente da China, Xi Jinping”, alfinetou.
O Futuro do Irã nas Mãos do Acordo
Sobre o destino de Teerã, o presidente norte-americano declarou que o país persa não tem outra opção senão dialogar, mas frisou que a reconstrução do Irã dependerá de “razão e bom senso”. Para o republicano, o país tem a chance de se tornar “legítimo” e se reerguer se aceitar as condições de Washington. “Se saíssemos do Irã agora, a reconstrução levaria 20 anos”, alertou.
Com o prazo do cessar-fogo próximo de expirar e Trump fechando as portas para uma renovação automática da trégua, os olhos do mundo e do mercado financeiro (que já registra altas no preço do petróleo devido ao bloqueio em Ormuz) se voltam para a tensa mesa de negociações no Paquistão.






