Salvador, 10 de abril de 2026 — O universo da cultura urbana amanheceu em silêncio nesta sexta-feira. Afrika Bambaataa, figura central na fundação do hip-hop e um dos maiores visionários musicais do século XX, faleceu na última quinta-feira (9), aos 68 anos. O artista enfrentava complicações decorrentes de um câncer e partiu na Pensilvânia, Estados Unidos.
Nascido Lance Taylor, no Bronx, Bambaataa não apenas criou batidas; ele desenhou um novo estilo de vida. Sua trajetória é a prova viva do poder transformador da arte: de líder de uma das maiores gangues de Nova York, a Black Spades, ele se tornou o embaixador da paz através da música, fundando a Universal Zulu Nation.
Foi nos anos 1970, em meio aos escombros do Bronx, que Bambaataa começou a organizar festas de rua que misturavam DJs, MCs e b-boys. Ali, o hip-hop deixava de ser apenas um som regional para se tornar uma linguagem global.
Em 1982, ele lançou a icônica “Planet Rock”, com o grupo Soulsonic Force. A música não foi apenas um hit; foi uma revolução técnica. Ao fundir ritmos africanos com a eletrônica europeia (inspirada pelo Kraftwerk), ele deu origem ao electro-funk, gênero que serviria de base para inúmeras vertentes da música de pista.
O Legado nas Terras de Caymmi e do Funk
A conexão de Afrika Bambaataa com o Brasil sempre foi profunda e visceral. Se hoje o funk carioca é uma potência mundial, ele deve muito aos samples e à estética difundida por Bambaataa nos anos 80. O “Pai do Hip-Hop” reconhecia no Brasil um espelho de sua filosofia de mistura racial e sonora.
Sua influência ecoa em grandes nomes da nossa música:
Marcelo D2: Sempre citou o mestre como uma bússola para a fusão entre o rap e o samba.
Fernanda Abreu: Gravou a emblemática faixa “Tambor” ao lado do rapper, selando a união entre o pop brasileiro e a raiz do Bronx.
Rock in Rio: Em 2011, Bambaataa eletrizou o Palco Sunset em um encontro histórico com Paula Lima, reafirmando seu carinho pelo público brasileiro.
Bambaataa costumava dizer que o hip-hop se baseava em quatro pilares: paz, amor, união e diversão. Sua partida deixa um vazio imenso, mas suas batidas continuam a ressoar em cada esquina de Salvador, nos morros do Rio e em cada toca-discos que celebra a cultura de rua.
A Revista da Bahia presta sua homenagem a este gigante que provou que, com um sintetizador e uma ideia na cabeça, é possível mudar o destino de uma geração inteira.
“A música é a nossa arma para a paz.” — Afrika Bambaataa (1957 – 2026)
Foto: Reprodução/Instagram, @afrika_bambaataa_official







