Uma declaração dada durante uma sessão do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) gerou forte repercussão nacional nesta terça-feira (21). A desembargadora Eva do Amaral Coelho afirmou que a magistratura vive uma situação financeira “muito triste” e chegou a comparar o futuro da categoria a um “regime de escravidão”.
A fala da magistrada ocorre logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovar restrições e limites rigorosos para o pagamento das chamadas verbas indenizatórias — conhecidas popularmente como “penduricalhos” —, que frequentemente elevavam os salários de juízes e promotores para muito além do teto constitucional.
O Desabafo na Sessão
As declarações foram registradas em vídeo durante a abertura da 8ª sessão da 3ª Turma de Direito Penal do TJPA. A desembargadora, que atua na carreira jurídica há 45 anos, queixou-se da perda de benefícios, como o auxílio-alimentação e as gratificações por direção de foro, argumentando que os cortes estão sufocando o orçamento dos magistrados.
Ela demonstrou insatisfação com a forma como a sociedade enxerga a classe judiciária. “Os juízes hoje estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos. Pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada”, disse, defendendo que a população deveria acompanhar a rotina da magistratura, que inclui, segundo ela, um volume enorme de horas extras e trabalho nos fins de semana e plantões não remunerados.
O Contraste dos Números
O que mais chamou a atenção do público e inflamou as redes sociais foi o contraste entre o tom da reclamação e os vencimentos reais da magistrada.
De acordo com dados oficiais do Portal da Transparência do próprio Tribunal, no mês de março de 2026, a desembargadora Eva do Amaral Coelho recebeu uma remuneração bruta de R$ 117.863,72. Após os descontos obrigatórios, o valor líquido depositado em sua conta foi de R$ 91.211,82.
A Decisão do STF
O estopim para a insatisfação da magistrada foi a recente decisão do STF que impôs um freio aos pagamentos extra-teto. A Corte Suprema estabeleceu critérios rígidos e padronizados para o repasse dessas verbas indenizatórias (que não entram no cálculo do teto constitucional) a juízes e membros do Ministério Público. As novas balizas visam garantir maior transparência aos cofres públicos, enquanto o Congresso Nacional não aprova uma legislação definitiva sobre o tema.






